Ao Deus dará…

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Neste comentário muito válido de Manuela Ferreira Leite (pulse aqui), em que a economista defende que Portugal não será alvo de novo resgate mas sim de um “programa cautelar*,  gostava de destacar o seguinte excerto:

“Muitas das medidas têm sido tomadas de forma cega, como os cortes em salários, a redução de determinado tipo de despesas, são exactamente contrárias à lógica de uma reforma”, sustentou, acrescentando que não existe um modelo subjacente.

Quem estiver minimamente atento ao que os “governos” recentes fizeram em todas as matérias que realmente importam facilmente conclui o mesmo que Ferreira Leite.

Quero dizer, para legislar sobre temas fracturantes – como o aborto, o casamento homossexual, adopção por casais homossexuais, procriação medicamente assistida, regionalização, entre outros – em que se gastam uma quantidade infindável de horas a discutir valores e pontos de vista, todos os deputados participam e todos aparentam ser especialistas. Podia ser uma conversa de café entre amigos ou conhecidos – ou até mesmo transeuntes – e aportaria igual valor acrescentado e talvez até decorresse num nível mais civilizado. Não quero com isto desvalorizar este tipo de matérias, nem as suas implicações para os eventuais interessados, mas estamos tão somente a falar de valores, gostos, preferências.

Agora, quando temos um problema estruturante que põe em causa a sustentabilidade da nossa sociedade civil, a todos os níveis, não temos pessoas capazes nem competentes para liderar o país. Numa altura em que necessitamos de gente com: criatividade para propor soluções para os problemas, aptidão técnica para os compreender, empenho e perseverança para dominá-los, assertividade para negociar quer com parceiros sociais quer com credores internacionais, destreza comunicacional para gerir as expectativas dos Portugueses, temos a conduzir os destinos da nação uma pandilha de medíocres (felizmente que há excepções).

Portugal não tem um modelo, uma política para derrotar a crise económica (sem esquecer existencial) porque o actual regime democrático não o permite, porque os supostos actores principais da “democracia” não representam nem defendem os interesses dos Portugueses, porque essas organizações são péssimos filtros da sociedade – polarizando os espertos e não os mais dotados – e porque acima de tudo concentram demasiado poder!!! (abordo este tema aqui e aqui)!!!

Enquanto deixarmos que essas falanges repilam a entrada de novos partidos ou movimentos sociais na Assembleia da República conservando o oligopólio legislativo, enquanto permitirmos que mantenham o seu estatuto de intocáveis legislando sobre matérias em que sejam parte interessada, enquanto fizermos vista grossa ao amplo e obsceno leque de regalias de que dispõem continuaremos a assistir à degradação da nossa qualidade de vida sem qualquer controlo sobre o nosso destino…

*os que estão ou estiveram muito tempo ligados à política gostam de demonstrar a sua riqueza semântica.

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