Andorinha?! Parece mais um pardal…

emprego

Ontem, em conversa a propósito da descida assinalável na taxa de desemprego do primeiro para o segundo trimestre de 2013, de 17,7% para 16,4%, recomendei prudência quanto ao que isso pudesse indiciar relativamente ao dinamismo do mercado trabalho e por inerência na actividade económica em Portugal.

Eis que entretanto alguém que se deu ao trabalho de analisar o informe do INE já não pinta um cenário tão auspicioso. Da notícia publicada hoje no jornal i destaco as seguintes passagens:

Em termos globais, o segundo trimestre evidenciou um recuo de 66,1 mil desempregados desde Março deste ano, um valor que, contudo, esconde que o desemprego de muito longa duração (pessoas há mais de dois anos sem emprego) voltou a crescer a um ritmo suficiente não só para anular o recuo do início de 2013 registado neste indicador, como para bater novos máximos no país. Portugal conta hoje com 335,7 mil pessoas desempregadas há mais de dois anos, valor nunca antes visto no país e que cresceu 5,2% no trimestre e 18,6% em relação ao segundo trimestre de 2012.

(…)

Assim, e do total de 886 mil desempregados registados em Portugal no segundo trimestre,37,9% dizem respeito a residentes no país que não encontram emprego há mais de dois anose que já perderam direito a qualquer apoio social. Em comparação, veja-se que em Março este peso era de 33,5%. Este salto no desemprego de muito longa duração acabou por alimentar também um outro recorde negativo no emprego: no segundo trimestre 61,9% [!!!] estavam nessa situação há mais de 12 meses, isto quando em Março este total era de 58,9% e em Junho de 2012 de 53,6%.

(…)

Além dos desempregados, nas estatísticas sobre o mercado do trabalho é preciso também olhar para o subemprego e para os inactivos, e nestes dois indicadores os números do segundo trimestre também não trouxeram motivos para celebrar. Os residentes em Portugal em situação de subemprego – trabalhadores a part-time com vontade de trabalhar mais – subiu 4,8% de Março para Junho, para 270,4 mil. Já os inactivos à procura de emprego passaram de 31 mil para 33,4 mil, com os inactivos disponíveis mas que não procuram emprego a saltar de 261,1 mil para 271,1 mil [!!!].

Estes valores, em conjunto com os dos desempregados, dão uma imagem mais aproximada do dito “desemprego real” em Portugal, que em Junho abrangia 1,46 milhões de residentes em idade activa [!!!], menos 2,7% que em Março, mas mais 8,9% que em Junho de 2012.

Em lugar de se estar a celebrar a chegada da primavera com o avistamento da primeira andorinha esfregue bem os olhos: a taxa de desemprego de referência pode ter diminuído mas as pessoas sem emprego – estatiscamente: desempregados mais inactivosnão!!!

Quem quiser ser mais indagador e considerar os números da emigração ficará com uma noção mais clara da real situação: quanto maior o número de malas que se fazem menos “desempregados” temos dentro de portas. Se se quiser seguir com mais atenção o voo da suposta andorinha, para tirar as dúvidas quanto ao efeito sazonal positivo da maior procura de trabalho temporário para os meses de Verão, maior a probabilidade de se concluir que se trata dum pardal…

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s