Corte e cose com alfinetadas…

Nuno Saraiva, cronista do Diário de Notícias em: Ao que chegámos

(…)”são ideias de um Governo que foi eleito com base na premissa de que o Estado é um empecilho e deve fazer-se sentir o menos possível na vida dos cidadãos. Mas, ironia das ironias, a presença do Estado nunca foi tão percetível, em democracia, e pelas piores razões, como com o atual Governo.” (…)

“Olha para o que eu digo não para o que eu faço” – premissa muito comum em gente pouco honesta…

(ainda Nuno Saraiva)

(…) “Em democracia não há pensamento nem partido único. E, por definição, há sempre alternativas (…) É óbvio que, para que elas se manifestem, é necessário que as oposições tenham discurso. Honra lhes seja feita, o PCP e o BE são claros e coerentes no caminho que propõem: romper com a troika e rasgar o “Pacto de Agressão”. E o que diz o PS? O que é que fará de diferente? Em que é que se vai distinguir da atual maioria? Que relação terá com o Memorando, com a dívida e com o embuste apelidado de “reforma do Estado”? (…)

Eu ia responder mas houve quem o fizesse…

Primeiro Passos Coelho

(…) Hoje Passos Coelho garantiu que “as boas ideias são sempre bem-vindas” e não ter “nenhum preconceito ideológico, muito menos em relação ao principal partido da oposição”.

O PS, disse, “tem especiais responsabilidades na situação que o país está a viver e também na oposição ao governo, na medida em que chefiará uma alternativa de governo, do ponto de vista eleitoral, pelo que “cabe aos que se apresentam como alternativa” apresentarem as suas ideias. (…) Passos Coelho nega que marginalize o PS e diz mesmo que tem procurado que traga as suas ideias e propostas para esse debate.

“Ainda na semana passada, no Parlamento, convidei o PS a dizer o que entende concretamente por novo processo de consolidação orçamental, materialmente e não através de ‘slogans’, com propostas práticas para realizar uma trajetória diferente para a consolidação das contas públicas. Até hoje ainda não aconteceu e aguardamos que o PS possa apresentar as suas propostas”, lamentou. (…)

…e depois Miguel Macedo.

(…) O governante garantiu ser necessário fazer uma reforma “profunda” em muitas estruturas do Estado o que significa fazer opções políticas, daí o “famoso” corte de quatro milhões de euros e, quando o PS se recusa a fazer discussão “séria”, recusa porque sabe que vai encontrar desagrados e confrontações políticas.

“O PS ao recusar fazer discussão séria significa que desiste de construir futuro diferente do que tivemos até agora”, ressalvou.

O maior partido da oposição tem, segundo Miguel Macedo, a “triste” meta das eleições autárquicas quando o país está confrontado com problemas “sérios”.(…)

Resumindo e baralhando:

   – o modus operandi do PS não é novo nem tão pouco pioneiro.

Assim que os tempos de bonança passaram à história – privatizações e torrentes de dinheiro incondicional vindos da UE – e decisões importantes – logo impopulares para uma franja da população – tiveram que ser tomadas, quantas vezes se caracterizou como dinâmica e/ou construtiva a actuação do maior partido da oposição?! Quantas vezes não se assistiu à passividade desse mesmo partido(s) na esperança que a eleição para o governo lhe caísse no colo, entregue pelos mesmos que a haviam arrancado na anterior ida às urnas? O que o PS está – sem vergonha nenhuma –  a obrar, tal como PSD e CDS o fizeram no passado, é gerir a conjuntura eleitoral e esperar pela mudança da direcção do vento a seu favor…

   – espanta-me o crédito inesgotável de que goza este regime.

Quando uma pessoa (singular ou colectiva) entra em incumprimento sistematicamente nos créditos que contrai é néscio, ou muito ingénuo, aquele, ou aqueles, que o continuem a conceder. É só ver como a banca trabalha…

(volto a citar Nuno Saraiva)

“Como é óbvio, o País já não aguenta. E das duas, uma: ou se trava a espiral recessiva (…) enquanto é tempo, ou, chegados ao nosso trágico destino, já nada haverá para salvar. A escolha é simples. Porque, como escreveu um dia Victor Hugo, “entre um governo que faz o mal e o povo que o consente, há certa cumplicidade vergonhosa“.

Está nas nossas mãos deixar de sermos instrumentos da “democracia”…

 

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