Até o universo tem limites…

…mas a estupidez não!!!

Vi ontem uma notícia a falar da eventualidade de se aplicarem multas aos consumidores que não solicitarem facturas. Ri-me perante o absurdo. “Que essa malta das finanças (entre ministério e AT) fica muito a dever à  argúcia, já o sabemos, mas não é preciso bater no ceguinho”, pensei. “Certamente não iam expor-se ao ridículo de implementar uma medida dessa natureza, depois das asneiradas todas que vêm fazendo. Seria o cúmulo!”

Não é que estavam mesmo a falar a sério

Como estou com sérias dificuldade em comentar medida tão ESTÚPIDA sem recorrer a vocabulário mais injurioso transcrevo as declarações de Jorge Morgado, secretário-geral da DECO. Basicamente sintetizam a minha opinião sobre pertinência da medida, sem “adjectivos elogiosos”. (in Diário de Notícias)

Para a Deco, “seria muitíssimo mais importante e produtivo utilizar o tempo dos fiscais das Finanças em matérias mais importantes, como os grandes negócios e as grandes fugas a impostos, e não propriamente pô-los a fiscalizar os consumidores ou por os consumidores a serem fiscais de finanças, que não são, nem querem ser.

Na opinião do responsável da associação, esta é, aliás, “a pior altura para mobilizar as pessoas para o cumprimento escrupuloso” deste tipo de obrigações, já que se vive “um tempo em que a carga fiscal é elevadíssima e, em troca, o que os cidadãos têm tido é o recuo das prestações sociais do Estado”.

Independentemente deste facto, a Deco defende que “essa mobilização deve fazer-se pela positiva, e não com penalizações”, cabendo ao Governo “fazer leis que sejam explicadas e exequíveis, ou a situação começa a ser ridicularizada“.

Como não vou querer expor-me muito – visto que estou a sentir dificuldades em não soltar um chorrilho de palavrões – acrescento a opinião do bastonário da Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas, Domingues Azevedo.

…”a fiscalização só pode ser feita ‘just in time’ [no momento], por ser necessária prova inequívoca e comprovada”.

Esta “impraticabilidade” é satirizada com brilhantismo por Ferreira Fernandes, cronista do Diário de Notícias.

“Exijo uma lavagem ao estômago para ver se há cafeína.” Olhei para o interior do café e vi as saquetas de publicidade: “E tem de ser Delta! Porque ainda devo ter resíduos do Nespresso que tomei em casa…” . Isto sim, fez-me rir bastante!

Os desmandos das elites, governativa e partidária, e a aplicação coerciva de medidas ridículas como esta têm sido tolerados sem muito ruído ou agitação. No fundo por se reconhecer legitimidade ao regime cujos limites são difusos. Como os do universo…

Mas tem limites!

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