Procura-se assessor especialista em ministrar “cachaços”

Na sequência de mais um episódio de incontinência verbal do primeiro-ministro (PM) Pedro Passos Coelho terá sido publicado em Diário da República (informação que carece de confirmação) um anúncio de oferta de emprego para uma vaga de “assessor especialista em ministrar cachaços”.

Na origem da vaga recém-criada está o disparate veiculado pelo PM que apontava no sentido do estado vir a cobrar propinas no ensino obrigatório.

OK! Arrumar a casa depois de mais de 35 anos de estroinice não é tarefa fácil nem tão pouco para ser levada a cabo num par de anos. Ainda para mais acossados por credores internacionais que querem resultados instantâneos. Entretanto, na falta de maior criatividade ou aptidão impingir-nos a tolerância pela ineficiência exasperante na gestão de recursos públicos – polvilhada, aqui e ali,  com umas pitadas de práticas danosas/criminosas – com aumentos de impostos e similares é o quanto baste!

Agora, asfixiar ainda mais o orçamento familiar com a introdução de propinas no ensino obrigatório (?!?) (as do ensino superior já são das mais caras da Europa) depois de ter renovado o parque escolar – com algumas intervenções que devem fazer inveja às escolas nos Emirados Árabes Unidos – parece um absurdo tão grande que pelo visto motivou a criação deste posto de trabalho. Assim evita-se o desarranjo da opinião pública ao mesmo tempo que ajuda a conservar a pálida credibilidade deste (des)governo.

Assim procura-se um assessor especialista em ministrar cachaços com as seguintes especificações (transcrito – supostamente – do Diário da República):

– preferivelmente do sexo masculino;

– ambidextro;

– experiência na prática de voleibol (preferencial);

– experiência na prática de rituais primitivos de socialização/integração imberbe (factor eliminatório);

– perspicaz;

– disponibilidade total de horários para actuar sobretudo à saída de reuniões do conselho de ministros;

– polivalência: pode ser necessário assessorar outros membros do governo.

Oferecem-se as seguintes condições:

– alojamento e refeições;

– indumentária formal;

– fornecimento ilimitado de cremes hidratantes para as mãos;

– fundo de maneio para despesas pessoais (não se oferece remuneração por se antecipar muita procura para o cargo).

Descrição sucinta da função: antes do PM ou outro membro do executivo se aprestar para comunicar algo oficial ao país deve apartá-lo e conferenciar sobre o assunto. Se estiver prestes a anunciar algo absurdo aplicar com veemência uma pancada seca na zona compreendida entre o pescoço e a nuca (vulgo cachaço) que leve o PM ou outro membro do governo a fazer uma “vénia”. Repetir até corrigir a declaração ou dar a entender que vai reflectir sobre o assunto.

Na verdade crê-se que este posto de trabalho terá sido criado por ordem da troika sob pressão dos países que alegremente tem recebido a nossa “mão-de-obra excedentária.”

Estão a fazer uma espécie de controlo da qualidade…

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