Álvaro, o Navegador

Álvaro Pereira, ministro da Economia do actual governo propõe-se navegar a imensidão da burocracia para fazer chegar a bom porto os investimentos de que Portugal carece para crescer!

Já não temos Luís de Camões para exaltar os seus feitos mas o que pretende alcançar é sem dúvida digno de uma epopeia. Coragem não lhe falta! Talvez um chapéu de aba larga como o de D. Henrique para ficar bem na fotografia!

Porém, a sua missão afirma-se muito mais espinhosa que aquela que o “Navegador” original lançou. Nessa altura ambicionou-se descobrir e conquistar o desconhecido. Além da coragem e tenacidade  tinha-se toda uma nação – e sobretudo a coroa – a apoiar e empreitada!  No caminho, domaram gigantes, não se atemorizaram com monstros, testaram os limites da resiliência física, deixaram-se seduzir por sereias…Para tal,testaram várias vezes a fronteira tecnológica, produziram conhecimento, foram hábeis e criativos a vencer as adversidades. No final deram a conhecer à civilização ocidental novos mundos, engrandeceram o orgulho nacional, enriqueceram o património histórico e catapultaram o crescimento de Portugal!

Hoje, para fazer a ponte entre os empresários e Portugal, para diminuir a distância e o tempo que muitas vezes lhes mata o ímpeto, Álvaro Pereira parece querer lançar-se sobre a burocracia munido de barquinho insuflável e uma lancheira com uma sande e um sumo. Não passa da rebentação…Francamente, não se pode querer ir muito longe ao anunciar que se pretende remover as entraves ao investimento em Portugal criando uma comissão composta por burocratas!

O que emerge destes episódios tragicómicos  é que em Portugal além dos capitais, nacionais e estrangeiros, que ficam estacionados fora do país, apertam-se ainda mais os grilhões à concorrência! Em Portugal teme-se a concorrência, vilipendia-se a concorrência, afasta-se a concorrência já desde o tempo do estado novo. Porquê, quando na verdade esta é uma das maiores poderosas alavancas para a melhoria da eficiência dos factores de produção e consequentemente da competitividade do país?!

Porquê?! Muito simples, porque a burocracia “precisa de mostrar que existe para não ser dispensada”. Porque assim se conseguem os privilégios para os burocratas e “seus associados” em detrimento de todos os outros. Por que não é o mercado – e por inerência a concorrência – que decide quem prevalece ou quem tem sucesso: são os burocratas!

Para emular a grandiosidade dos Descobrimentos o chapéu à infante D. Henrique não levará ninguém a escrever uma linha para o aclamar, Navegador Álvaro!

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