A fome…emagrece!

É uma constatação à “la Palice” no entanto assenta muito bem à boa nova ontem divulgada: o eventual excedente na balança comercial do ano corrente.

Sim, é um facto que Portugal evidenciava (entre muitos outros) um problema crónico ao nível do saldo da balança de transacções correntes – da qual a balança comercial se apresenta como preponderante.

Analogamente, se um indivíduo, por exemplo, tiver excesso de peso tem como receituário uma  das (ou a combinação de várias) opções:

– fazer uma alimentação com menor intensidade calórica (relativizada pelas necessidades rotineiras do indivíduo);

– incrementar a sua actividade física;

– recorrer à cirurgia estética e/ou a métodos baseados em fármacos para assim conduzir à supressão/desaparecimento de tecido adiposo.

No caso do “excesso” de gordura (leia-se déficit comercial) aqui abordado o ajustamento foi feito mediante a aplicação intensiva da primeira opção. A aplicação da terceira é mais evidente noutros problemas crónicos e não será aqui alvo de apreciação.

Dito doutra maneira, a evolução positiva verificada no saldo da balança comercial tem origem numa quebra acentuada na procura interna  induzida pela quebra no rendimento disponível das famílias e da deterioração nas condições de financiamento à República e à banca. Toda esta conjuntura favoreceu a redução drástica das compras efectuadas ao exterior. À semelhança das pessoas que perdem peso de forma significativa quando…deixam de comer. Ou seja de forma pouco saudável e/ou sustentável.

Por isto se pode inferir que pelo menos para já é prematuro cantar vitória sobre um problema crónico. Esta melhoria circunstancial não está alicerçada numa economia mais robusta, mais tonificada por um plano de actividade física regular (pelo menos para já). Assim sendo, a diminuição do peso do déficit comercial não corresponde a uma economia mais pujante, criadora de emprego e que alavanque o nosso bem-estar.

A história (e a experiência passada) dos “regimes dietéticos” conta com exemplos de recaídas suficientes para manter para já uma postura menos eufórica.

6 thoughts on “A fome…emagrece!

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