Prefiro a Praça da Alegria

Sexta-feira de manhã. É dia 20 de Janeiro. Já passava das 10 horas. Estava a assistir à emissão da RTP Informação para saber das notícias que dominassem a actualidade. Depois do boletim noticioso ter-se demorado a analisar (outr)a crise do Sporting repentinamente a emissão passou em directo para a Assembleia da República (AR) onde ia ter lugar o debate quinzenal com o governo. Posso dizer que fiquei surpreendido: julgava que a AR não abria às sextas-feiras. Até porque aquela malta trabalhadora ainda tinha de fazer a viagem de retorno para casa…depois do almoço.

Como estava fazer outras coisas deixei o televisor ligado para ouvir o debate. Rapidamente me arrependi. Várias vezes me ocorreu mudar para a RTP 1 para espreitar a “Praça de Alegria”(PdA): programa a que só assisto nos escassos segundos que dura a passagem pelo canal durante um ocasional zapping. Não o fiz para ver até onde ia o espectáculo triste.

De resto, o cenário de estúdio desse programa é bem mais interessante, e até se pode dizer mais agradável à vista, que o hemiciclo da AR. Concordo, os interlocutores são sempre os mesmos: de um lado o Jorge Gabriel e a Sónia Araújo, do outro, o Passos, o Seguro, o Magalhães (este é novo), o Louçã, o Sousa e a Assunção Esteves. Em segundo plano, ao jeito de figurantes, temos toda aquela malta que é paga para compor o cenário. Sim! Válido quer para a PdA quer para a AR. Talvez as diferenças se fiquem pela indumentária e pelos cachets porque em ambos os programas na maior parte do tempo só dizem disparates e coisas fúteis. No fundo, os requisitos necessários para passar tempo quando estamos sozinhos em frente ao televisor sem nada melhor para se fazer. Ou damos por nós a acenar com a cabeça com as futilidades que se ouvem dizer e a pensar “por que é que estou a ver isto?!”; ou rimo-nos dos disparates ou das palhaçadas que os protagonistas proporcionam ou então pura e simplesmente espetamos a orelha para procurar ouvir melhor o que estão a dizer para rapidamente concluir que era mais uma trivialidade.

Ai! Deixando de lado os devaneios e voltando ao debate quinzenal. Nas quase 2 horas que a televisão transmitiu 2 temas foram amplamente batidos: as nomeações discricionárias e a austeridade. Mais valia ter mudado para ver a ginástica no estúdio ou o cantor popular a fazer playback na PdA.

Ok, nomeações…O que é para dizer?! O que há de novo nesta questão?! Ah! Ter visto o Seguro, que é do PS a acusar o Passos que o PSD está farto de fazer nomeações. Já se viu o desplante?!?! Não, agora pergunto eu: há maior despautério haver um “roto a questionar um descamisado” as nomeações que o partido do primeiro fez?!?!?! Em relação a este tema os reflexos dos critérios da atribuição de um cargo de responsabilidade ou a adjudicação de uma comissão de serviço, etc. residirem, ou na filiação partidária, ou biológica, ou associativa ou outra circunstancial, e não no mérito, nas qualificações, na experiência ou na competência, estão à vista no saldo orçamental, na economia enfezada, nos debates parlamentares ao jeito do “Jerry Springer Show” e na sucessão de decisões políticas medíocres que têm sido tomadas ao longo daquilo que conhecemos como democracia. Sim, o que quero dizer é que é impossível perseguirmos políticas óptimas – é ilusório, admito – e tão pouco políticas desejáveis, equilibradas, justas, com decisores medíocres. Mais uma vez pergunto: onde é que estão as virtudes da democracia quando como cidadão sou vítima dos resultados medíocres que produz e para os quais não sou tido nem achado?! Ou tão pouco escolhi os incompetentes (de sempre) que os produziram?!?!?!

Ufaaaa! Já estava a ficar encarniçado! Passemos para a austeridade. Aqui vamos de novo…

Naaa! Já disse tudo o que tinha para dizer. Mais uma vez acho delicioso o principal crítico do Passos ser o representante do partido que esteve no poder e que com a conivência do actual Primeiro Ministro (PM) foi lançando PEC atrás de PEC. Só um apertozinho aqui, outro acolá, bah! Ouvimos falar até demais do aumento desemprego neste e naquele sector mas não se sabe de nada da demissão de burocratas, nem da extinção de institutos públicos ou de câmaras municipais, já para não falar das juntas de freguesia. E porquê?! Ora, porque os partidos são “uma família” muito grande…

Querem uma boa para fechar com chave de ouro para ilustrar o que se disse?! Ontem foi publicado em Diário da República a revisão da delimitação do staff do gabinete do PM, dos ministros, dos secretários de estado e (novidade, eu não sabia) dos subsecretários de estado. Vou transcrever (do jornal “i”) para ter tempo para me rir mais um bocado:

[Para o gabinete do PM] “o texto [decreto 12/2012] estabelece um chefe de gabinete e um máximo de 10 assessores (…) diminui o número máximo de adjuntos de 15 para 12, de secretários de 20 para 15, de motoristas de 23 [apre!] para 12…”

“…os gabinetes dos ministros podem ter um chefe de gabinete e até cinco adjuntos e quatro secretários pessoais, além de técnicos especialistas que nunca podem ser mais do que os adjuntos.”

“No caso dos gabinetes dos secretários de Estado, o limite são três adjuntos e dois secretários.”

“Os subsecretários de Estado podem ter um adjunto e um secretário. A regra para os técnicos especialistas é a mesma definida para os gabinetes dos ministros.”

http://www.ionline.pt/portugal/executivo-estabelece-limites-dimensao-dos-gabinetes-dos-ministros-secretarios-estado

É ou não é uma família grande?!

Qualquer dia também vão à Praça de Alegria. Tenho de estar atento!

Miguel Albuquerque (21-01-2012)

One thought on “Prefiro a Praça da Alegria

  1. é impressionante como a familia vai crescendo ao longo dos anos! e se ao menos aquela gente que lá está fizesse realmente alguma coisa, ainda se justificava tantos secretários e adjuntos de secretários…enfim!eu voto que a inquisição volte, e faça o seu trabalho da caça às bruxas e dos pecadores do pensamento politico…pois esses sim vão ter muito que se justificar no juízo final!!ou não!pois às tantas a justiça divina já perdeu a paciência…

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