Partidos para que vos quero?!

Em plena campanha eleitoral e com o espaço da comunicação social todo preenchido com debates e tomadas de posição entre os diferentes partidos políticos o que pensar de tudo isto? Que análise se pode fazer do baixo nível do teor das suas declarações? Estarão estas organizações à altura para dirigir o país?

Em todo o caso é particularmente em momentos como estes que os intitulados partidos políticos se apresentam mais dinâmicos, mais participativos e mais interessados com o destino do país. O que origina outra interrogação: o que explica esta dicotomia? A galvanização evidenciada em período eleitoral e a inércia e o laxismo característico do cumprimento dos mandatos (seja na administração central ou local)?

Em busca de respostas

No encalço de pistas que permitam vislumbrar a razão de ser deste contraste atente-se nas estatísticas constantes no sítio da internet da Comissão Nacional de Eleições. Afastando os primórdios da democracia, de 1980 até dia 5 de Junho de 2011:

  • Entre presidenciais, legislativas, autárquicas, europeias, referendos e regionais registaram-se 43 actos eleitorais em 31anos;
  • houve apenas 4 anos em que os Portugueses não tiveram de se deslocar às urnas – 1981, 1990, 2003 e 2010;
  • em 13 anos registou-se mais que um sufrágio: 1980, 1982, 1987, 1989, 1991, 1996, 1998, 1999, 2001, 2004, 2005, 2009 e 2011;
  • o ano de 2009 – a caminho da situação limite que se vive actualmente – detém o recorde de eleições: 3!

Para quê?!

Direccione-se o foco para outra vertente, as máquinas (entenda-se se quiser empresas) partidárias têm uma actividade corrente que desempenham com grande proficuidade: geram e angariam fundos para financiar os (frequentes) períodos eleitorais. Estas acções decorrem nos bastidores daquela que deveria ser a principal incumbência: contribuir para a direcção dos destinos do país de acordo com uma ideologia.

Sem querer entrar pelas rotas atormentadas a que nos conduziram os partidos com maior representatividade eleitoral parecem evidentes a competência e o empenho na forma como montam o espectáculo das campanhas eleitorais. Já quando toca governar, dirigir, propor soluções, tomar decisões parece que se enfadam com complexidade dos processos e os seus resultados medíocres. Assim sendo, siga para eleições!

Para tal basta observar a sua performance reflectida numa e noutra situação. De um lado temos as arruadas, os sorrisos, os bombos, as distribuições de brindes e panfletos, os apertos de mão, os beijos lambosados, as subidas ao palanque, os discursos inflamados, os murros na mesa, os perdigotos, os indicadores em riste, os debates televisivos, as almoçaradas, as jantaradas, as promessas inverosímeis…Do outro? Uma Nação à deriva e em risco de naufragar, uma lista imensa de deficiências estruturais, as acusações, as contra-acusações, a repreensão da Europa e do Mundo, a apresentação em 15 dias de trabalho de 3 pessoas da lista das principais reformas a efectuar (algumas delas bem evidentes e já mencionadas neste blog)…

Dediquem-se à pesca…

Costuma dizer-se que quando alguém fica aquém do esperado ou falha no cumprimento das suas funções – de forma reiterada – que se dedique à pesca. No caso dos partidos seria mais um “dediquem-se à festa”. Pois na verdade é o que melhor sabem fazer. Isso e o jogo da dança das cadeiras…

É chegada a hora de dizer a alto e a bom som “Alto e Pára o Baile!” Cabe ao Povo Português romper com o regime que tem legitimado a gestão irresponsável e lesiva dos interesses da Nação.

Em 1383 quando o fidalgo Galego João Andeiro atentou contra os interesses de Portugal foi crivado com uma lança e atirado da janela. Mas isso era quando havia gente de fibra. Hoje, esfrega-se os olhos como se estivesse a acordar dum pesadelo e iludidos com o fogo-de-artifício e verborreia dos suspeitos do costume lá vai toda gente votar nos mesmos de sempre…

Só que na actual conjuntura o pesadelo é real e os que se perfilam para governar o País são mafarricos!

É hora de acordar do torpor [estuporados]! Senão…?!

Pernas para que vos quero…

Miguel Albuquerque (16/05/2011)

4 thoughts on “Partidos para que vos quero?!

  1. Desculpa, mas como não escrevo tão bem como tu como dizes tudo tão bem, resta-me ilustrar com um filme do youtube


    (a legenda não é a tradução literal)
    ***
    diana

  2. Pingback: Portugal aos seus donos! « acorda es(torpor)ado!

  3. Pingback: “Deixa estar que eu viro o disco…” « acorda es(torpor)ado!

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