PEC – um mau filme em 4 actos. Fora com o realizador?

Não é preciso ser nenhum cinéfilo para se saber que as sequelas de qualquer filme original costumam ser duma qualidade dúbia que se deteriora com o número de reedições.

Regra geral assentam ou num argumento explorado ou num formato em segunda mão ou numa perspectiva entretanto replicada. Se numa série o # II ainda consegue uma bilheteira aceitável, às tantas o # III mal chega para pagar o devaneio dos produtores e então o # IV… Com alguma sorte acaba na grelha de programação dum canal generalista num Domingo às 3h00 da manhã.

Compromisso com os estúdios

O compromisso de Portugal para com os estúdios de cinema da Zona Euro obriga-o desde o início a realizar receitas tendencialmente crescentes com as suas produções. Para o efeito, depois de contratado, foi apoiado numa fase inicial para se dotar das condições necessárias para convergir para a bitola Europeia.

No entanto, tal desígnio nunca foi alcançado e Portugal foi-se revelando como um dos piores produtores. Acontece que recentemente a debilidade do país colocou em causa a estabilidade dos estúdios que desta feita exigiram a geração sob pressão de receitas para evitar a administração forçada.

O realizador em funções – o partido socialista (PS) – por falta de habilidade lançou um filme de terror – o PEC. Como cabeça de cartaz, para viabilizar o filme, “persuadiu” o partido social democrata (PSD) para o papel principal. Assim procurou garantir à plateia – os Portugueses – a qualidade da obra convencendo-os que o preço a pagar era justificado. Escassos meses volvidos veio-se a provar o contrário.

Acossado pela pressão crescente dos estúdios e pela perda de soberania de outros dois membros o realizador teve de regressar ao trabalho. Se o filme original não correu de feição, insistir na mesma fórmula – mesma categoria, mesmo actor principal, mesmo estilo – dificilmente potenciaria o sucesso.

Realizador em cheque

Recentemente, na sequência do anúncio perante os estúdios da Zona Euro que o PEC teria mais uma reedição a discórdia deflagrou entre o realizador e o elenco. Numa altura em que a plateia tem manifestado desilusão com a direcção do realizador o actor principal sentiu-se encorajado para dar a entender que não alinhará em nova sequela e que pretende ocupar o seu lugar. Ao mesmo tempo alguns actores secundários também se rebelaram posicionando-se para sua demissão. Afirmam que estão fartos de filmes de terror fracassados…

Com efeito a rejeição, incondicional, do PEC IV conduzirá inexoravelmente à saída do realizador e com isso Portugal ficará à mercê da administração forçada por que muita gente clama. Essa administração forçada seria repartida entre a direcção dos estúdios da Zona Euro, a conceituada Academia do FMI e pelo novo realizador. Isso seria um processo moroso que tomaria alguns meses e até lá Portugal fica em suspense.

Ora bem, o realizador tem tido uma prestação que deixa bastante a desejar ficando aquém dos gostos da plateia e da geração do retorno exigido pelos estúdios. É um facto. Pese embora, nem o elenco nem tão pouco a plateia têm estado à altura. Quer-se com isto dizer que até há bem pouco tempo raras vezes instaram o realizador a fazer melhor. Esse alheamento tem-se notado quer na escolha do realizador quer que do elenco: indiferença, distanciamento. No último esforço o realizador tentou concertar com o elenco no sentido de elaborar um filme mais apelativo. Em vão…

O Desejado

Quanto à intervenção externa: os Portugueses podem suspirar por um épico em que se exaltam a justiça, a equidade e a prosperidade dum povo. Todavia, a Academia do FMI não escolhe as produções com base nos gostos da plateia. Antes tomará decisões que lhes permitam realizar um óptimo encaixe já que vão patrocinar o filme. Filme esse que pode muito bem ser de terror. Um excelente filme de terror!

“Desejado” só houve um…D. Sebastião e mais nenhum!!! E era Português…

Miguel Albuquerque (23/03/2011)

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